O calor entálpico deixava todos cansados a sua volta, até os cachorros e gatos de rua, acostumados ao maltrato. Porém, em cada gotinha de suor sabia escorrer um dia, questionando algo sobre o próprio tempo. Saiu correndo do apartamento, trancou o café com leite intocado em cima da pia. O taxista balbuciava aventuras silenciosas, que de nada serviam para apartar a situação estranha que calava dentro do estômago – jogou o telefone pro espaço.O cardápio no restaurante e suas figuras alaranjadas, e todo o caos na Nossa Senhora de Copacabana refletiam esse alvoroço que urdia em mar, gritos, e álcool. A sua cidade já não mais cabia em si, consumia-se em escala anual, e por isso já bastava.
Distanciou-se do pânico, por um minuto ao ver o Cristo, e dançou a última entoada de sábado no calor costumeiro daqueles dias de muita luz. No sol seguinte evocou seus santos, cantou os mantras populares daquela gente queimada de praia e fechou o zíper das malas.
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