Tentar dormir no mesmo fuso horário. A idéia é tentar manter um eterno estado de despedida. Pra não parecer que existe vida depois da volta. Pra não se acostumar com o café da manhã sozinho, com os aviões que levantam vôo e dissipam poeira. Agarrar-se na música, seja ela triste ou feita pra gritar e dançar pelas novas cidades feitas de sonho. Pra esquecer os relógios errados, todos eles a volta lembrando sempre que o dia começa apesar de.
A direção foi invertida por alguns segundos de felicidade estranha. Tornou a volta uma verdadeira ida, em direção a lugar algum. Respirei fundo uma vez, e depois esqueci de tragar de volta o ar. Ficou uma vida em suspenso, uma esperança que não deixa dormir. Um eterno fuso horário. Deixou a volta verdadeiramente adiada, ao ponto de partida.
Adiou a respiração, para uma vida póstuma, acreditada em vagas esperanças. Tornou a rotina prazerosa, em dias fatigados, castigado por poeira de aviões que jamais alçam vôo. Os sonhos se dão em lugares destituídos de sentido, sem fuso algum, onde esboço algum antigo sorriso. O fuso não me deixa mais dormir.